sábado, 27 de fevereiro de 2010

Tradução do artigo "Livestock and Climate Change"

Em dezembro de 2009, o World Watch Institute publicou o artigo intitulado Livestock and Climate Change, de autoria de dois especialistas ambientais do Banco Mundial: Robert Goodland e Jeff Anhang. Goodland é um reconhecido cientista ambiental, professor de ecologia na UnB (Universidade de Brasília) durante a década de 1970, e aposentado como consultor ambiental chefe do Banco Mundial. Anhang também é pesquisador e especialista ambiental no Banco Mundial.

O artigo trata de um tópico familiar a todos os que são a favor dos direitos animais, que é a relação entre a exploração de não-humanos e o aquecimento global. Uma das referências mais conhecidas sobre este assunto é o relatório da FAO Livestock's Long Shadow, de dezembro de 2006. O texto da FAO afirma que a criação de animais é, atualmente, a maior responsável pela emissão de gases de efeito estufa no mundo. Ela corresponde a 18% do total de emissões mundiais, superando as emissões resultantes de automóveis e indústrias. O artigo Livestock and Climate Change contesta os números do artigo da FAO. De acordo com Goodland e Anhang, a criação de animais é responsável por pelo menos 51% das emissões mundiais de gases de efeito estufa. Nesse cálculo são contabilizadas emissões ignoradas ou alocadas incorretamente pela FAO. Os autores também mencionam - embora não contabilizem - os gastos que os governos têm com outros problemas resultantes do consumo de produtos de origem animal, como problemas de saúde. Eles também consideram que, assim como os automóveis, os animais domesticados são uma criação humana. Concluem, assim, que o modo mais efetivo de frear o aquecimento global é através do fim (e não da redução ou adaptação) da produção de carne e laticínios, uma vez que tais produtos são dispensáveis ao consumo humano, além de existirem análogos vegetais de sabor e valor nutricional similares, cuja produção tem um impacto ambiental muito inferior. O artigo mostra então diferentes oportunidades que as indústrias podem aproveitar para a produção de produtos análogos à carne e laticínios.

É importante ressaltar que o argumento de impacto ambiental não é central para alguém que acredite em direitos animais, pois ainda que a exploração animal não gere qualquer impacto ambiental, o status de propriedade dos animais continua sendo imoral segundo uma ética deontológica. Entretanto, o texto dos especialistas do Banco Mundial é um argumento a mais que pode ser utilizado em conjunto com outros argumentos também não-centrais, mas que normalmente são utilizados na defesa dos direitos de não-humanos, como os argumentos da saúde e utilidade.

A seguir disponibilizamos uma tradução do artigo para o português:

Download do artigo "Pecuária e Mudança Climática" (PDF, 939 KB).

Um comentário:

  1. Lhe agradeco muito.
    Forte abraco do colega
    Roberto Goodland

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